Para Além da Análise do Comportamento
Graziella Baiocchi

Psicóloga pela PUC Goiás
Psicodrama pela Sociedade Goiana de Psicodrama
Psicologia Clínica – Terapia Cognitivo Comportamental pela Ethos on
Orientação Parental pelo método OPP
Psicoeducadora capacitada em Parentalidade Consciente
Pós-graduação em Educação Parental e Inteligência Emocional - UNIFATEC/Parental coaching Brasil
Psicologia do puerpério pelo Instituto Aripe
Capacitação em TDAH, Avaliação e Reabilitação
pelo ciclo CEAP
Pós-graduação em Desenvolvimento
Infantil pelo CBI of Miami
Capacitação em intervenção naturalista e
precoce Instituto Singular
Capacitação em TEA pelo IEPSIS
Especialista em Autismo pelo Contentus Digital
Curso de TCC no Espectro
Neurociência e comportamento - Treinamentos Delanogare
Texto aos Terapeutas Démodês
Graziella Baiocchi
CRP 05/44560
Dias atrás li uma reflexão de uma colega psicóloga aos jovens terapeutas. Uma linda reflexão, otimista sobre a profissão. Tudo é lindo no início, não é mesmo?
Ao terminar pensei de imediato: alguém precisa urgentemente falar com os velhos terapeutas.
Não velho no sentido de tempo, idade.
Velho no sentido de ultrapassado. Desatualizado. Démodê.
E talvez, por que não, então talvez sirva também ao jovem terapeuta a reflexão.
(Um pequeno adendo no texto se faz necessário. Aos terapeutas me refiro aos psicólogos formados. Hoje tantas pessoas se intitulam terapeuta que chego a ficar zonza. Mas é sobre a psicologia).
Você, terapeuta, lembra do juramento feito no dia de sua formatura?
Sobre estar a serviço da sociedade, pautado na ética, na qualidade técnica? Sobre promover saúde e qualidade de vida?
Você, terapeuta, ainda se lembra do seu código de ética profissional?
Qualquer navegação rápida no Google te dará informações valiosas do código de ética que parecem ter se perdido. Assim como o juramento feito.
Ok. Talvez você estivesse animado demais com a festa e finalização do curso e nem tenha escutado aquele juramento.
Mas é preciso voltar a ele.
Lidamos com pessoas. Onde fica o discurso lindo de cada indivíduo é único e deve ser respeitado como tal?
Quando é que o terapeuta deixa de enxergar a beleza individual para enquadrar indivíduos em padrões?
Não cabe aqui o discurso que a culpa é de um excesso de diagnósticos, ou que o próprio DSM-5-TR ou CID11 propiciam a padronização. Eles servem como base para orientar o profissional qual caminho seguir.
Por que a partir de qualquer diagnóstico vários terapeutas só rotulam? E pior, a meu ver, querem enquadrar indivíduos únicos em algo "socialmente saudáveis?". (Sim, reviro os olhos e o estômago).
E se perdem, de forma preconceituosa e capacitista, nessa rotulagem. Nessa padronização.
Criança se senta. Criança olha. Criança imita. Adolescente socializa. Adolescente regras. Adulto trabalha. Não repita vídeos. Procure prazeres. Respire assado. Tarefas de casa claramente tiradas da cópia e cola. Perdão. Repete tudo isso mil vezes. Foco total no lucro da clínica.
Ah... O foco...
Onde entra a individualidade no contato com o outro? Se perde!
Aposto que você já ouviu algum colega dizer: "Mas meu paciente Border". Ei terapeuta, você sabia que ele tem nome, ele tem uma história antes de qualquer coisa? Por que muitos terapeutas perdem a capacidade desse olhar humano, de totalidade?
Os terapeutas démodês, esquecidos de seu propósito inicial, ou enraizados em preceitos preconceituosos e capacitistas (falta terapia individual a eles?), deixam de enxergar a evolução. De enxergar e promover a saúde. E saúde não é o oposto de doença. Se você, terapeuta, não sabe isso, talvez tenhamos que voltar muitas casinhas no jogo...
A psicologia tem um prognóstico maravilhoso enquanto profissão. E acredito nisso. Infelizmente porque em parte a sociedade vem falhando muito e adoecendo pessoas.
Mas vamos lá... de volta ao terapeuta desatualizado e perdido. Desejo a você, que anda démodê, mudança. Acredito também na sua mudança. Você pode manter o foco no lucro, mas não deixe a outra pessoa a sua frente só. Sem ser vista, acolhida, escutada e respeitada. Em sua INDIVIDUALIDADE.
Esqueça teorias velhas que não são mais aceitas. Transforme outras antigas.
Não se perca no tempo.
Mas o mais importante.
Lembre-se do seu desejo inicial de se formar psicólogo.
Acho que terapeutas démodês esqueceram o básico.
Mas quem acredita no potencial e na saúde do indivíduo, seja ele quem for, sabe que o démodê pode se reinventar.
Que assim seja! Sim, quase uma oração.
Julho de 2023
Você tem medo do desenvolvimento infantil?
Graziella Baiocchi
CRP 05/44560
Quando nos tornamos profissionais da área da saúde, analistas do comportamento ou não, precisamos entender de que? De gente! Inclusive gente pequena.
Na minha prática de supervisora vejo o medo de muitos profissionais quando o assunto é infância. Acreditem! Não é um medo incomum.
Mas para entender de gente, precisamos entender o início de tudo. Não há como escapar ou fugir da infância... e, de verdade, não tenham medo dela.
É lá que vamos entender que o estresse, o ambiente, a herança transgeracional podem modificar nossos genes, influenciando todo um futuro.
É na infância que entendemos as primeiras habilidades, mas também identificamos os primeiros atrasos.
É na infância que podemos usar e abusar da função de cada termo: aprendizagem, imitação, modulação, reforço, extinção.
É, ainda nessa época, que podemos escolher não punir em hipótese nenhuma.
Para um apaixonado pelo comportamento humano, não há época mais fértil e pulsante como a infância. É um convite para aprender na prática.
Assim como quem é apaixonado nesta etapa de vida precisa entender desses termos. Como não olhar para um bebê e não entender que ele imita a mãe e isso é uma forma de aprendizagem? Caso não haja imitação é um sinal de alerta!
Como não olhar para a criança fazendo birra no shopping e não perceber antecedente - comportamento- consequência, assim como os reforçadores presentes na situação.
Falar de gente é pensar na infância. E falar de gente também não é ser um pouco analista do comportamento?
Entender e perceber a infância não quer dizer trabalhar com essa faixa etária.
Não importa a sua área de atuação, a sua abordagem. Se você estiver disposto a saber mais sobre o ser humano, é preciso ir além.
Aqui fica meu convite a você. Estude. Sem medos. Veja o todo.
QUANDO A MÃE E A PSICÓLOGA SE CONFUNDEM PARA ALÉM DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO.
Graziella Baiocchi
CRP 05/44560
Hoje meu texto vem muito mais como um desabafo materno. Não há como, algumas vezes, meu papel profissional e materno não se confundirem no meio do meu percurso.
Isso por vezes não é bom. Mas não é de todo ruim. Porque se não fosse esse meu olhar profissional entrelaçado ao papel materno, não perceberia o quanto precisamos refletir sobre os profissionais no mercado.
Hoje quero falar com, para e sobre profissionais que atuam com TEA.
Como mãe atípica só posso acreditar que tais profissionais estejam preparados para atender o meu filho e os de tantas mães. Como profissional eu peço: ABA É UMA CIÊNCIA. NINGUÉM APRENDE ABA EM CURSO DE 100HS. NINGUÉM ESTÁ PRONTO PARA FALAR SOBRE ABA COM ESSES MESMOS CURSOS. SENDO UMA CIÊNCIA, ENCAREM A MESMA COM A SERIEDADE QUE ELA PRECISA E MERECE.
Como profissional e mãe, por favor, ao estar com qualquer criança, adolescente e/ou adulto percebam como a ABA pode funcionar na vida daquele sujeito, e não o contrário.
Atualmente, minha briga semanal é com uma das terapeutas que usamos termos de forma aleatória e sem propósito. E sabe o que mais dói? Ela acredita nisso!
Até que ponto você, profissional do TEA, acredita que a punição agrega? Até que ponto você acredita que qualquer PEC reforçador funciona para meu filho, sem olhar para ele antes?
Vejo que ter um mínimo de conhecimento profissional me ajuda a questionar. A escolher por um profissional em detrimento de outro. Ao mesmo tempo, tal batalha interna acaba me deixando sem muitas opções. Porque bons profissionais não se encontram em cursos de 100hs.
Desejo a todas mães atípicas que encontrem bons profissionais, e aqui eu me incluo.
Como profissional só me cabe estudar. E eu não me sinto pronta ainda.
Não usem cursos de 100hs com crianças atípicas. Elas merecem seriedade e ciência.
Obrigada.
PARA ALÉM DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO
Graziella Baiocchi
CRP 05/44560
Um dia, ministrando um curso sobre a infância, falei um pouco sobre a minha história de vida. No psicodrama chamamos esse ato de “compartilhamento”. Geralmente, o compartilhar é o momento que somos acolhidos, vistos em nossas individualidades e amparados.
Aquele dia, especificamente, falei sobre o TEA e TDAH do meu filho. Fez-se um silêncio descomunal. Os olhares que recebi foram de estranheza e preconceito.
Lembro de pensar: “que olhares são esses?”
Naquela noite, dormi pensando no filme “Ensaio sobre a Cegueira”. Será uma epidemia? Ou estariam todos cegos desde nascença?
Qual a dificuldade em enxergar e ver a neurodiversidade?
Nesse processo comecei a questionar os porquês os transtornos mentais, a neurodiversidade, se tornaram cegueiras coletivas.
Mesmo dentro em nossa área de atuação, são tantos tabus.
Para além da visão, para além da teoria, para além da análise do comportamento, quero trazer a mudança necessária para o coletivo e o individual. Para isso é preciso tirar vendas e falar sobre desenvolvimentos infantil, desenvolvimento humano, transtornos mentais, neurodiversidade.
De uma forma única. Minha. Como profissional, como Mãe Atípica e neurodivergente.
Nos encontraremos quinzenalmente para tirar vendas, refletir e provocar mudanças.
Vem comigo?
Para além e sempre.
PARA ALÉM DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO
Graziella Baiocchi
CRP 05/44560
Um dia, ministrando um curso sobre a infância, falei um pouco sobre a minha história de vida. No psicodrama chamamos esse ato de “compartilhamento”. Geralmente, o compartilhar é o momento que somos acolhidos, vistos em nossas individualidades e amparados.
Aquele dia, especificamente, falei sobre o TEA e TDAH do meu filho. Fez-se um silêncio descomunal. Os olhares que recebi foram de estranheza e preconceito.
Lembro de pensar: “que olhares são esses?”
Naquela noite, dormi pensando no filme “Ensaio sobre a Cegueira”. Será uma epidemia? Ou estariam todos cegos desde nascença?
Qual a dificuldade em enxergar e ver a neurodiversidade?
Nesse processo comecei a questionar os porquês os transtornos mentais, a neurodiversidade, se tornaram cegueiras coletivas.
Mesmo dentro em nossa área de atuação, são tantos tabus.
Para além da visão, para além da teoria, para além da análise do comportamento, quero trazer a mudança necessária para o coletivo e o individual. Para isso é preciso tirar vendas e falar sobre desenvolvimentos infantil, desenvolvimento humano, transtornos mentais, neurodiversidade.
De uma forma única. Minha. Como profissional, como Mãe Atípica e neurodivergente.
Nos encontraremos quinzenalmente para tirar vendas, refletir e provocar mudanças.
Vem comigo?
Para além e sempre.